
O Hospital de Urgências de Sergipe Governador João Alves Filho (Huse) realizou, no último sábado, 3, um procedimento de biópsia cerebral estereotáxica em uma criança de 3 anos que está internada na unidade hospitalar, ampliando a oferta de procedimentos neurocirúrgicos de alta complexidade na rede pública estadual de saúde. O procedimento representa um avanço na assistência especializada oferecida pela unidade, principalmente por possibilitar a investigação de alterações cerebrais, próximas a estruturas neurológicas importantes.
Um dos principais diferenciais da técnica é o planejamento realizado por meio de um sistema computacional, que permite estabelecer com precisão o caminho até a área que será biopsiada. “Estamos realizando uma biópsia em uma região muito profunda e delicada do cérebro, onde existem estruturas nobres que precisam ser preservadas. O objetivo é obter os fragmentos necessários para o diagnóstico com o menor risco possível para a criança”, explicou o neurocirurgião Jorge Dornellys.
“Todo o planejamento é realizado no computador para que, durante o procedimento, a gente consiga executar a abordagem com precisão. Entre os principais benefícios estão a segurança, por ser uma cirurgia minimamente invasiva, e a precisão, que pode alcançar a escala milimétrica ou até submilimétrica. Além disso, a expectativa é que o paciente possa receber alta em 24 a 48 horas, conforme sua evolução clínica”, acrescentou o especialista.
Durante o procedimento é feita uma pequena incisão, inferior a dois centímetros, por onde é introduzido o material específico para a retirada dos fragmentos da lesão. A realização da biópsia é uma etapa fundamental para identificar as características da lesão e permitir que, após a análise do material coletado, a equipe médica estabeleça a estratégia terapêutica mais adequada.
A criança segue em assistência médica e multidisciplinar na Unidade Pediátrica do Huse. “Foi um sonho a realização deste procedimento aqui no Huse. Porque, se fosse outro tipo de biópsia, o risco seria maior por conta da abertura e do acesso mais complicado. Meu filho está muito bem. Agora, é torcer pela alta e pela recuperação dele. A assistência aqui é muito boa”, contou a mãe do paciente, Alessandra Oliveira.
Avanços
A realização do procedimento também representa um avanço na capacidade tecnológica e assistencial da unidade hospitalar. “A utilização desses recursos amplia as possibilidades de atuação da equipe em casos que exigem abordagens neurocirúrgicas de elevada precisão. A gente espera que outros pacientes que tenham necessidade, principalmente as crianças, possam também ter essa opção de tratamento, porque ela é extremamente segura e eficaz para confirmar o diagnóstico e, assim, possibilitar a indicação do melhor tratamento”, frisou o neurocirurgião.
A estrutura especializada se soma à atuação da equipe de Neurocirurgia do Huse, que reúne profissionais capacitados para diferentes áreas da especialidade. “Atualmente, temos evoluído muito. Então, a gente tem que ter neurocirurgiões que façam desde a parte vascular, operar aneurismas, operar tumores, mas também aqueles que possam fazer cirurgias minimamente invasivas, que também definam diagnóstico e tratamento para o paciente com o menor risco possível”, comentou Dornellys.
Diagnóstico direcionado
Para o médico residente da Neurocirurgia, Leonardo Melo, a utilização da modalidade estereotáxica representa uma alternativa importante, especialmente no atendimento pediátrico, por evitar intervenções cirúrgicas mais amplas. “Existem diferentes modalidades de biópsia, entre elas a aberta, que pode exigir uma cirurgia de maior porte. Em uma criança dessa idade, buscamos evitar ao máximo procedimentos mais invasivos. A técnica estereotáxica permite realizar a coleta de forma menos agressiva e, posteriormente, com o resultado do exame anatomopatológico, direcionar o tratamento de acordo com o diagnóstico”, ressaltou.
Além do avanço tecnológico, a realização do procedimento no Huse reforça a possibilidade de acesso da população a técnicas especializadas por meio do Sistema Único de Saúde (SUS). “É muito gratificante ter a possibilidade de realizar um procedimento dessa complexidade em um hospital do SUS. Estamos falando de uma técnica especializada, que exige estrutura, tecnologia e uma equipe preparada. Poder oferecer essa possibilidade às crianças que precisam do serviço público é extremamente satisfatório”, finalizou o residente.





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