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DF: construtora que prometia “casa do futuro” dá golpe milionário

DF: construtora que prometia “casa do futuro” dá golpe milionário

Uma construtora que prometia casas com projeto arquitetônico sustentável, “do futuro” e “dos sonhos” deixou aos menos 30 clientes no prejuízo após fechar as portas no fim do ano passado. O rombo é milionário e ultrapassa os R$ 2,8 milhões. A polícia ainda apura o total do calote.

As vítimas denunciaram o caso à Polícia Civil do Distrito Federal (PCDF) e ao Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT). Há informações de que alguns sócios embarcaram para o exterior logo após anunciar a falência e demitir funcionários.

A Itra Construtora se comprometeu a erguer grandes residências em regiões nobres do Distrito Federal, como Park Way e Jardim Botânico. O prazo para a conclusão das obras prometido na maior parte dos contratos era de 12 meses. Os acordos com clientes eram fechados mediante o pagamento de 20% do valor total do serviço.


“Estava desesperado e a empresa surgiu com a solução. Fez um projeto bonito, prometia qualidade e agilidade. A obra estava em andamento, com os materiais chegando. Jamais poderia imaginar que teria problemas. No Natal recebi a ligação do engenheiro afirmando que a empresa ia suspender o serviço e estava fechando. Foi um choque tão grande que perdi o rumo”, desabafou.

Vieira afirma que não foi chamado pelos proprietários da construtora para debater soluções. Ao contrário, não conseguiu contato com os empresários.

“Ter a minha casa da forma como planejei é um sonho antigo. Passei a morar com a minha mãe para investir nesse propósito. Como vou ter coragem e recursos para contratar outra empresa depois disso? Me apresentaram a foto de um lar e a realidade foi completamente diferente”, finalizou.


Projeto prometido pera Luciano Vieira


Só no papel

O advogado Yuri Schimtke contratou a empresa para construir uma casa de 320 m² no valor de R$ 653 mil. Além da quantia, o cliente desembolsou mais R$ 24 mil para a construção de uma piscina, que foi entregue. A construção teve início em junho de 2018 e deveria ter sido finalizada em julho de 2019.

“Em 20 de dezembro do ano passado, eles deixaram de enviar o relatório. Como era fim de ano, pensei que não havia problema. Fui na obra e encontrei quatro funcionários trabalhando. Mas em janeiro veio o balde de água fria”, destacou.

O valor total pago por Schimtke alcançou R$ 456,9 mil. A Itra executou apenas 47% da obra e a abandonou em dezembro do ano passado. Com o que foi pago, era para a obra estar em 70%. O advogado relata que amarga o prejuízo de R$ 150 mil.

“Percebi que estavam desviando o valor que paguei para empregar em outras obras e para o pagamento de funcionários. Suspeitei dos atrasos nos serviços, mas não poderia imaginar que iriam nos dar um golpe”, disse o advogado.

Ainda segundo Schimtke, a promessa era de entregar as chaves em, no máximo, um ano. “Quando o engenheiro me deu a notícia, foi muito difícil de acreditar. Consegui reunir um grupo e, juntos, estamos movendo ações contra a empresa”, afirmou.

Confira como era o projeto feito pela construtora e como ficou a casa de Yuri:

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Outro cliente contratou os serviços por R$ 487 mil e, em troca, obteve apenas 65% da construção, amargando prejuízo estimado em R$ 120 mil. Mais uma vítima, que firmou contrato de R$ 537 mil, também procurou a Justiça para tentar o ressarcimento do valor.

Segundo outra mulher, o prejuízo é ainda maior, pois a casa construída possui diversos problemas de execução, com paredes tortas, fissuras e vazamentos.

Estelionato

O caso é investigado pela Coordenação de Repressão aos Crimes contra o Consumidor, a Propriedade Imaterial e a Fraudes (Corf). De acordo com o delegado-chefe da unidade especializada, Wisllei Salomão, um inquérito foi instaurado para apurar possível prática de estelionato e falsificação de documentos contábeis.

“Estamos investigando. Fatos estão sendo analisados para comprovar se há crime, se eles agiram com a finalidade de causar prejuízo aos clientes”, destacou o policial.

Os sócios não foram localizados pelos clientes nem pela reportagem para comentar as denúncias.

Fonte: Metropoles

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